
Pastor Ted Wilson, presidente mundial da
Igreja Adventista do Sétimo Dia, foi eleito
na 59ª Assembleia da Associação Geral,
realizada em Atlanta, EUA, nos dias 24 de
junho a 3 de julho de 2010.
|
Novo presidente da Associação Geral reafirma crenças adventistas em sermão pregado no dia 3 de julho de 2010, em Atlanta, EUA
A Igreja Adventista do Sétimo Dia se encontra em uma jornada rumo ao Céu. Estamos quase no lar! Creio, de todo o coração, que Jesus voltará em breve. Particularmente, admiro o maravilhoso vigor e entusiasmo de nossa família mundial. Embora todos nos orgulhemos de nossas respectivas nações e culturas, louvo ao Senhor por haver uma “cultura” de Jesus Cristoque nos mantém unidos e ultrapassa todas as barreiras.
Palavra sÓlida em um mundo caÓtico
Os sinais da segunda vinda de Cristo aumentam em frequência e intensidade. Catástrofes na natureza, grande confusão do mundo político, desenvolvimento do ecumenismo, dramático crescimento e influência do espiritualismo, deterioração das economias mundiais, desestruturação dos valores familiares e sociais, rejeição da autoridade absoluta da Palavra de Deus e dos Dez Mandamentos, crime desenfreado e declínio moral, aumento de guerras e rumores de guerras – tudo isso indica o clímax da história da Terra e o breve retorno do Senhor.
Que grande privilégio é saber que, em meio à incerteza do mundo, podemos descansar com absoluta confiança na imutável Palavra de Deus! Ao longo da história humana e contra constantes ataques satânicos, Deus tem preservado Sua Palavra. Cremos que a Bíblia contém um relato preciso de nossas origens, um registro confiável de nossa salvação e um glorioso vislumbre de nosso breve livramento. Como adventistas do sétimo dia, aceitamos a Bíblia como o fundamento de todas as nossas crenças e nela encontramos nossa identidade profética singular.
Com o poder de Sua verdade, Deus esculpiu a Igreja Adventista do Sétimo Dia neste mundo caótico. Devemos ser um povo peculiar, o povo remanescente de Deus, chamados para exaltar Cristo, Sua justiça, Suas três mensagens angélicas (Ap 14:6-12) e Seu breve retorno. Como povo remanescente de Deus, aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12:17), temos uma singular mensagem de esperança e um mandato para proclamar a graça de Cristo ao mundo.
Uma das características do povo de Deus dos últimos dias é aceitar e guardar
todos os dez mandamentos, inclusive o quarto. A observância do sábado não é apenas um sinal da obra criadora de Deus, mas será o sinal de Seu povo nos últimos dias.
Maravilhosa graÇa
Dependemos totalmente de Jesus e de nosso relacionamento com Ele quanto à salvação. Não obtemos a salvação por nossas obras, mas pela graça de Cristo. Graça é a certeza do perdão divino (justificação) e o recebimento do poder divino (santificação). Não podemos separar o que Cristo faz por nós (justificando-nos diariamente como se nunca tivéssemos pecado) daquilo que Ele faz em nós (santificando-nos diariamente, à medida que nos submetemos a Ele e permitimos que o poder do Espírito Santo transforme nossa vida, tornando-a mais semelhante à de Jesus).
Esse é o “evangelho eterno” apresentado na mensagem do primeiro anjo (Ap 14:6). Isso é justificação e santificação pela fé. É por essa razão que os adventistas devem ser os mais ativos em proclamar a graça de Deus. O sangue expiatório de Jesus Cristo vertido na cruz e Seu ministério expiatório no santuário celestial têm apenas um propósito: salvar cada pecador arrependido. Por meio do sacrifício de Cristo e de Seu ministério sumo sacerdotal, podemos nos achegar “confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4:16).
É essa maravilhosa, poderosa e redentora graça que somos chamados a proclamar a um mundo enfermo pelo pecado. “Não temos nenhum motivo para exaltação própria. Nossa única razão para esperança está na justiça de Cristo que nos é imputada [justificação] e na justiça que é produzida por Seu Espírito, que atua em nós e por nosso intermédio [santificação].”1
EspÍrito de Profecia
Apocalipse 12:17 afirma que o povo remanescente de Deus teria “o testemunho de Jesus”. Apocalipse 19:10 explica que “o testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Nova Versão Internacional). O mesmo Espírito que guiou os santos homens da antiguidade levantou, nestes últimos dias, uma mensageira para a igreja de Cristo. Nos escritos de Ellen G. White, Deus nos concedeu um dos maiores dons que seria possível.
Assim como a Bíblia, o Espírito de Profecia não está ultrapassado nemé irrelevante. Deus usou Ellen G. White como humilde serva para conceder orientações inspiradas sobre a Bíblia, profecia,
saúde, educação, relacionamentos, missão, família e muitos outros assuntos. Como remanescente fiel de Deus, jamais devemos rejeitar a preciosa luz que recebemos por meio dos escritos de Sua mensageira.
Nossa necessidade de Jesus
Quando utilizamos a expressão “igreja remanescente”, jamais devemos entendê-la de forma egocêntrica e exclusivista. Devemos ser as pessoas mais humildes do mundo, reconhecendo nossa completa necessidade do Salvador e louvando-O por nos convidar a fazer parte desse movimento profético. A mensagem de Cristo precisa ser proclamada por um povo que é semelhante a Ele em amor. Quando somos transformados por Sua graça, levamos a mensagem bíblica de forma humilde e amável.
Quando estivermos completamente subjugados aos braços do Senhor, Ele agirá por nosso intermédio de forma poderosa para dar a derradeira mensagem de misericórdia a um mundo agonizante. Nosso sucesso para cumprir a missão divina depende de sermos submissos à Palavra de Deus e dependentes do Espírito Santo. Ellen G. White afirma: “Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo deve ser nossa primeira ocupação”.2 À medida que estivermos diariamente ligados a Cristo e permitirmos que Ele atue por nosso
intermédio, seremos usados pelo Espírito Santo para proclamar a graça divina e abreviar a volta de Cristo.
Quando os egípcios estavam perseguindo os filhos de Israel, após o Êxodo, os israelitas se viram presos pelo deserto à direita, as montanhas à frente, o mar Vermelho à esquerda e, atrás, o exército do faraó se aproximava (Êx 14:5-12). Mas eles deixaram de confiar no poder de Deus. Tudo que podiam ver eram os obstáculos. Que obstáculos enfrentamos hoje? Montanhas de dúvidas e ceticismo sobre a Bíblia? Exércitos de confusão espiritual? Um mar de conflitos familiares e pessoais? Montanhas de dificuldades financeiras? Apesar de todas as circunstâncias, Deus abrirá um caminho à nossa frente.
Ellen G. White escreve: “Frequentemente a vida cristã é assediada de perigos, e o dever parece difícil de cumprir-se. A imaginação desenha uma ruína iminente perante nós, e, atrás, o cativeiro ou a morte. Contudo, a voz de Deus fala claramente: ‘Avante!’ Devemos obedecer a esta ordem mesmo que nossos olhares não possam penetrar nas trevas, e sintamos as frias vagas em redor de nossos pés. Os obstáculos que
embaraçam nosso progresso nunca desaparecerão diante de um espírito que se detém ou duvida.”3 Portanto, olhe para o Deus todo-poderoso que o conduzirá em meio a qualquer dificuldade que você enfrentar. Jamais perca sua plena confiança nEle. Sempre obedeça a Seu comando: “Avante!”
Avante, sem retroceder
Avante, sem retroceder. Não caia no erro de aceitar formas de adoração ou métodos evangelísticos apenas porque são novos e populares. Devemos pôr à prova todas as coisas pelo padrão da suprema autoridade da Palavra de Deus e das instruções contidas nos escritos de Ellen G. White. Não ceda a movimentos que prometem sucesso espiritual com base em uma teologia defeituosa, mas procure métodos e programas evangelísticos fundamentados em sólidos princípios bíblicos e no tema do grande conflito.
Avante, sem retroceder. Devemos utilizar estilos de adoração e de música que sejam centralizados em Cristo e firmados na Bíblia. Reconhecemos que as formas de adoração e as culturas variam ao redor do mundo, mas não retroceda rumo a configurações confusas em que música e adoração enfatizam tanto as emoções e experiências que é perdido o foco central na Palavra de Deus. Toda adoração, seja simples ou complexa, deve exaltar a Jesus Cristo, e não a nós mesmos.
Avante, sem retroceder. Não se entregue à falsa teologia, que desvia dos pilares da verdade bíblica e das crenças fundamentais da Igreja Adventista. Nossas crenças, que são bíblicas, permanecerão firmes até a volta de Cristo. Ellen G. White escreve: “Que influência essa, que desejaria levar os homens, neste período de nossa história, a trabalhar de modo enganador e poderoso, para solapar os alicerces de nossa fé – alicerces lançados no princípio de nossa obra mediante devoto estudo da Palavra e pela revelação? Mensagens de toda espécie e feitio têm feito pressão sobre os adventistas do sétimo dia, pretendendo substituir a verdade que, ponto por ponto, tem sido buscada com estudo e oração, e atestada pelo poder milagroso do Senhor. Mas os marcos que nos tornaram o que somos devem ser preservados, e assim será, conforme Deus mostrou mediante Sua Palavra e o testemunho de Seu Espírito. Ele nos conclama a nos apegarmos firmemente, com a mão da fé, aos princípios fundamentais que têm base em autoridade inquestionável.”4
Avante, sem retroceder. Permaneça firme na Palavra de Deus, como ela é lida e compreendida literalmente, de acordo com o sentido natural do texto. Devemos sempre reconhecer que somos criaturas finitas e caídas observando as obras de um Criador infinito e onipotente, e que existem coisas na natureza e na Bíblia que não compreendemos plenamente. Mas aquilo que o Senhor, em Sua misericórdia, nos deu em linguagem clara para ser aceito como fato não deve ser colocado em dúvida.
Não distorça o relato de Gênesis capítulos 1 a 11, interpretando-o como alegórico ou meramente simbólico. A Igreja Adventista do Sétimo Dia crê no relato bíblico da criação, a qual ocorreu há poucos milhares de anos, em seis dias literais, consecutivos e contíguos de 24 horas. Se Deus não houvesse criado a Terra em seis dias literais e então santificado o sábado, por que iríamos adorá-Lo no sétimo dia, como adventistas? Entender a criação de forma equivocada significa negar a Palavra de Deus e o próprio objetivo do movimento adventista em proclamar as três mensagens angélicas.
Não retroceda ao evolucionismo ateísta ou mesmo teísta. Devemos ir avante ao entendimento profético de que a lealdade a Deus, nosso Criador e Redentor, será vista na observância do sábado como característica distintiva do povo de Deus no tempo do fim. Somos instruídos: “Não forceis o sentido de sentenças bíblicas no esforço de produzir qualquer coisa de singular a fim de comprazer a fantasia. Tomai as Escrituras como rezam.”5
Avante, sem retroceder. Permita que a Bíblia seja sua própria intérprete. Nossa igreja tem utilizado o método histórico-bíblico (ou histórico-gramatical) para entender as Escrituras, permitindo que a Bíblia interprete a si mesma. O método histórico-crítico, no entanto, põe o leitor acima do sentido natural das Escrituras e fornece uma licença inapropriada para que ele decida o que é verdade, com base nas teorias humanas em que foi instruído. Esse tipo de abordagem leva as pessoas a descrer de Deus e de Sua Palavra. Para aprender a interpretar corretamente a Bíblia, você pode utilizar os vários recursos produzidos por estudiosos adventistas.6
Avante, sem retroceder. Aceite o Espírito de Profecia como um dos maiores dons concedidos à Igreja Adventista, relevante não apenas para o passado, mas ainda mais para o futuro. Embora a Bíblia seja a autoridade suprema e o árbitro final da verdade, os escritos de Ellen G. White são um guia claro e inspirado para auxiliar em nossa compreensão da verdade bíblica. Eles são uma bênção maravilhosa para dirigir a igreja de Deus nos últimos dias da história da Terra.
O breve retorno de Jesus
Jesus virá em breve! Logo, veremos no Céu uma pequena nuvem negra, aproximadamente da metade do tamanho da mão humana. Então, ela se tornará mais e mais brilhante e gloriosa. E lá, assentado em meio a milhões de anjos, estará Aquele a quem tanto esperamos. Não o Cordeiro ferido, não o Sumo Sacerdote, mas o Rei dos reis e Senhor dos senhores – Jesus, nosso Redentor! Olharemos para cima e exclamaremos: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos” (Is 25:9). Cristo olhará para baixo e dirá: “Muito bem, servo bom e fiel. Entra no gozo do teu Senhor” (ver Mt 25:21, 23). Então, subiremos para encontrar o Senhor nos ares, iremos para o lar eterno e viveremos eternamente com Cristo. Que esplendoroso destino para nossa jornada!
Aceite a maravilhosa graça de Cristo em sua vida. Vá avante ao renovar seu compromisso com Ele e ao proclamar a graça de Deus e as três mensagens angélicas.
Referências
1. Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 63.
2. _______, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 121.
3. _______, Patriarcas e Profetas, p. 290.
4. _______, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 207, 208.
5. _______, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 170.
6. Veja George W. Reid, ed., Compreendendo as Escrituras: Uma Abordagem Adventista (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2007); Gerhard Pfandl, ed., Interpreting Scripture: Bible Questions and Answers (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2010).
Ted N. C. Wilson, presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia, foi eleito na 59ª Assembleia da Associação Geral, realizada em Atlanta, EUA, nos dias 24 de junho a 3 de julho de 2010.

Fonte: Revista Adventista (agosto de 2010)
http://www.cpb.com.br
|